
A Cruz Céltica , o Futebol , a Juventude... Breve "Viagem Filosófica"
Todo o desporto , a começar pelo Futebol é uma manifestação iminentemente activa e combativa. Na minha maneira de ver, o fenómeno desportivo, em geral , e o espectáculo futebolístico em particular, são mesmo das poucas e últimas manifestações autênticamente combativas que ainda não foram absorvidas e neutralizadas por uma sociedade predominantemente reivindicativa , como é aquela que nos cerca.
O chamado "jogo da bola" e todas as componentes que o envolvem , de fora para dentro , como é o caso das claques , são fenómenos de expansão e Juventude que se exprimem ao ar livre , e que ofendem , como tal , todas as mentalidades envelhecidas que não sabem respirar senão em climas de ar condicionado.
Por outras e equivalentes palavras , podemos dizer que a acção desenvolvida pelos jogadores no relvado e o incentivo que recebem do "alto" das bancadas representam um espaço de vibração natural . Em contraponto os "velhos do restelo" da nossa sociedade tentam-nos incutir os espaços de vibraçao artificial. ( Os ambientes viciados em que se encerram as chamadas "Jumentudes Partidárias" , dia sim , dia sim , são disso um triste exemplo) Daí que as claques e os seus ídolos sejam vistos com tão maus olhos como o são.
A paixão clubsta que está na raiz da formação de todas as claques é um ideal , provem de uma mistíca ; e esse idealismo , toda esse mistíca têm de estar necessáriamente presentes e representados nos símbolos emblemáticos adoptados pela claque. A Cruz Céltica , como cruz que é, está desde logo associada ao mistério - e portanto, á mistíca - Que envolve a vida e a morte, aacção e a contemplação , a verticaliade e a horizontalidade, o combate que todo o ser humano - seja guerreiro, seja atleta , seja lá o que for - tem de travar neste mundo(no estádio, no campo de batalha, no dia a dia , ao longo de toda a sua existência...) e o descanso e o repouso que lhe será dado a merecer no intervalo e no final da luta, e designadamente noutro mundo.
Os eixos que configuram qualquer Cruz , e o ponto de intersecção dos mesmos , não significam outra coisa. Ora bem : por alguma razão a Cruz Céltica - e as claques que, a justo título a ostentam - têm vindo a ser crescentemente mal tratadas , caluniadas e perseguidas , por parte daqueles ( e não são poucos) que não sabem nada de nada , ou por outra : que não sabem nada de tudo , bem como pelos funcionários , enviados especiais, empregados e sopeiros que os "ajuntamentos partidários" em geral - e dois em particular - costumam destacar para tudo quanto é sitio , e também para os estádios.
É que a espiritualidade da força que se liberta do nosso símbolo ofende , naturalmente, o materialismo grosseiro e agressivo , inerente á imagem cortante de uma foice e ao caracter bruto e sempre contundente de um martelo. Á mão desses e de outros índios de leste , em comissão de serviço nas nossas arquibancadas , todo o generoso idealismo e espírito de entrega que o desporto pressupõe , e que as claques testemunham , correm orisco d se tornar ceara ceifada a talho de foice , ou de bigorna martelada e massacrada sem dó nem piedade...
... E o que dizer então daqueles aficcionados de meia leca que se entretêm a sobrepor á Cruz Céltica o fotogénico e duvidoso retrato de um Che Guevara , como chegou a acontecer com o meio ultra de Guimarães!? Porque não terá ocorrido a esses "guerrilheiros" do Alto Minho a ideiade empunhar antes a éfige do seu conhecido conterrâneo D. Afonso Henriques, cujo o perfil até ligaria ás mil maravilhas com a Cruz Céltica visto que ambos estão na sequência um da outra...